Uma história da leitura

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Amir Brito Cador
Uma história da leitura
Belo Horizonte, edições Andante, 2018
Offset digital
13,5 x 17,5 cm
72 p.
150 ex.

Uma história da leitura em imagens, os livros como objeto do olhar, destacando o formato, a mancha gráfica, o volume. O livro apresenta retratos de Jeronimo, o tradutor da Bíblia para o latim, padroeiro dos bibliotecários e dos tradutores. Em cada página, fica visível apenas um detalhe que mostra a presença do livro junto ao monge eremita. As imagens foram transformadas em tons de cinza, preservando apenas as áreas de vermelho de sua roupa. Assim despojadas de cor, do contexto e de outros elementos, as pinturas, em sua maioria do período barroco, tem o livro e o texto pintados como personagens principais.

http://andantelivros.blogspot.com.br

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Auras and Levitations

Aura and levitations

Susan Hiller
Auras and Levitations
160 p.
11 x 7,7 cm
Primeira edição 2008
Segunda edição, 2010, 1.500 cópias
ISBN: 978 1 906012 07 6

O livro de artista de Susan Hiller presta homenagem a duas imagens de aspiração, fantasia e sublimação: Leap Into The Void, de Yves Klein, e Portrait of Dumodel, de Marcel Duchamp. Ambas abraçam o legado fantasmagórico da arte moderna; no primeiro, o desafio do xamã à gravidade, no segundo, a percepção clarividente das auras humanas.
Em seu livro miniatura, Hiller reuniu imagens da internet, todas homenageando indiretamente os gestos desses dois artistas. Ela apresenta uma seqüência de levitações, consecutivas com uma série de imagens de auras, construindo assim um legado ocultista que prospera na cultura popular, no qual o gesto do artista é reencarnado no meio democrático da internet.

Originalmente publicado em 2008 – Segunda Edição, 2010

Susan Hiller’s artist’s book which pays homage to two images of aspiration, fantasy and sublimation: Yves Klein’s Leap Into The Void, and Marcel Duchamp’s Portrait of Dr. R. Dumouchel. Both embrace the phantasmagorical legacy of modernist art; in the former, the shaman’s defiance of gravity, in the latter, the clairvoyant’s perception of human auras.
In her miniature book, Hiller has assembled images sourced from the internet, all paying indirect homage to these two artists’ gestures. She presents a sequence of levitations, back-to-back with a series of images of auras, so constructing an occult legacy thriving in popular culture, in which the artist’s gesture is reincarnated in the democratic medium of the internet.

Originally published 2008 – Second Edition, 2010

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https://www.bookworks.org.uk/node/1561

A frequência das aranha

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Tadeu Jungle (Tadeu da Fonseca Junges, 1956)
Frequência das aranha
outro título: Pega na minha
São Paulo, Edições Bacana, 1981.
23 x 32,4 cm
envelope contendo 15 folhas avulsas
serigrafia, offset
nota: impressão monocromática (preto, verde, azul, vermelho)
spray vermelho em “Ideograma para Yoko”
spray dourado em “ver navios”

Poética-Política

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Julio Plaza
Poética-Política
.
São Paulo, STRIP, 1977.

15 x 22,5 cm
48 p.

O livro apresenta duas sequências de silhuetas de mapas, o mapa-mundi e o mapa da América Latina.

 

Texto do Julio Plaza sobre o trabalho, incluído no artigo “O livro como forma de arte”:

O livro aproveita a estrutura espaçotemporal, em sequência, para distribuir ao largo das páginas uma série de ícones (países) em disposição espacial determinada pelo ícone final da série: o mapa da América Latina, espaçotemporalizado.

Desde o primeiro ícone (país) até o último, o leitor é obrigado a decodificar cada pais que se apresenta de uma forma abstrata e sem referencial produtor de sentido. É no ato de folhear o livro que o leitor e junto cada ícone, vão gerando e produzindo sentidos, até completar mnemotecnicamente (ato de memória) o mapa da América Latina.

O livro contém duas séries dispostas segundo a abertura oriental e ocidental de livro, isto é, com a lombada para a esquerda, ou bem para a direita.

Sobre a segunda série, Paulo Leminski escreveu o que se segue:

“Primeira constatação: é um livro sem palavras. O próprio titulo é, mais que palavra, um ideogramamontagem das palavras poética e política com a letra “E”, e a letra “L” fundidas, dando o signo chinês para “Sol”. Como pode um livro sem palavras ser político? Em lugar de palavras, Plaza usa mapas. Conversa através de mapas, como os marinheiros conversam através de bandeiras. O livro de Plaza é um livro icônico. O primeiro livro político puramente icônico de que tenho noticia. Plaza utiliza apenas dois ícones: mapas de países e continentes e um ideograma ambivalente de um cadeado que, visto de ponta cabeça é um capacete. O livro inverte no meio, podendo portanto ser aberto com a lombada para a esquerda (modo ocidental) ou com a lombada para a direita (modo oriental: chinês, japonês, árabe, hebraico). O ideograma “cadeadocapacete” que começa o livro e o termina, cerca com sua sinistra ambigüidade e atrito entre os mapas.

Os mapas são dos Estados Unidos, do Oriente Médio, da América Latina, seus países, do Brasil, de Cuba, do Chile. E passam pelas páginas com o polimorfismo caprichosos de nuvens e a terrível precisão de conceitos. Da pura “presentação” dos mapas, jogando com o significado internacional de cada país, na distribuição das relações de poder, hegemonia, submissão e exploração, Plaza diagrama uma denúncia, historizando a geografia”.

Paulo Leminski, Um translivro, Diário do Paraná, Anexo. Domingo, 31 de julho de 1977.

 

Freme

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Kenneth Goldsmith (Nova Iorque, EUA, 1961)
Freme
Florianópolis, par(ent)esis, 2016
coordenação editorial: Regina Melim
tradução: Caetano W. Galindo
revisão: Beatriz R. Galindo
projeto gráfico: Pedro Franz
500 ex.

No Bloomsday de 1997, sozinho em seu apartamento e com um gravador e um microfone, Kenneth Goldsmith tenta falar todos os movimentos que seu corpo faz das 10h, quando acorda, às 22h, quando vai dormir. O texto transcrito da gravação resulta em uma escrita na qual o corpo se reduz à sua mecanicidade, sem individualizar um personagem e tampouco apresentar ao leitor o mundo com o qual esse corpo interage. Em 16 de junho de 1998, a ação de Goldsmith é apresentada no Museu Whitney, em Nova York, como performance vocal-visual realizada por Theo Bleckmann. Na ocasião foram impressos 100 exemplares numerados e assinados da transcrição das três primeiras horas. Em 2000, a Coach House Books publica Fidget, a versão completa do texto de Goldsmith. Em novembro de 2016, Freme, tradução para o português realizada por Caetano Galindo, é publicado pela plataforma par(ent)esis. Segue abaixo um fragmento:

19h00

“Rededo. Espirro cruza. Todo o ante esfrega livre. Trista mão. Corre no fundo da coxa, sem olhos. Flexurrilha. Movimentos periféricos ditos. Alento refresca flanco destro. Maxilas veem dentes cerrados. Parte externa dum canino inferior, pronunciadíssimo ranger para trás e à frente. Em claro, não tem como chegar à gengiva. Donde descende canino destro. Mesmo assim, é pequeno esfrego. Mas chances há de que menor. Ínfera ravina. Exigindo atenção da saliva. Boca em geral. Língua corra. Palma. Nós entecem polegares. Nervos quicam e caem e caem e quicam. Em movimento vertical, movimentos verticais são. Poucas horizontais, especialmente as de origem nervosa. Se projeta recebida. Dentes não mais relaxam. Dentes não toque. Palatos separados. Naturalmente, dentuço. Dentes inferiores de novo passam à frente. Sem jamais dar na gengiva, sempre dando atrás. Dentes nunca tocam a não ser por queda dentária. Queda se origina gengiva. Não acontece. Projeta-se à frente dos de cima. Quadril gengiva acima não permite. Por outro lado, de detrás de diante. Ainda assim, nada acontece. Raspa mão. Primeiro agora estica.”

http://www.plataformaparentesis.com

The Life and Times of Butch Dykes series

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Eloisa Aquino ( Brasil, 1970)
Chavela Vargas
16 p.
10 x 13 cm
Photocopy
Montreal,  Publisher B&D Press, 2009
ISBN 9780978176341

This first issue in the series, The Life And Times Of Butch Dykes, chronicles the life of legendary Costa Rican born singer Chavela Vargas through bold black and white illustrations accompanied by equally as bold statements covering Vargas vivaciously uncompromising lifestyle.

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Eloisa Aquino ( Brasil, 1970)
JD Samson
16 p.
10 x 13 cm
Process Photocopy
Montreal,  Publisher B&D Press, 2009
ISBN 9780978176327

Issue 2, Vol. 1 in the series The Life And Times Of Butch Dykes is devoted to lesbian icon JD Samson, the mustache sporting artist and member of the electropunk band Le Tigre.

martina

Eloisa Aquino ( Brasil, 1970)
Martina Navratilova
16 p.
10 x 13 cm
Process Photocopy
Montreal,  Publisher B&D Press, 2011
ISBN 9780987760609

Issue 1, Vol. 3 in the series The Life And Times Of Butch Dykes is devoted to Czech American tennis player, Martina Navratilova.

 

https://www.printedmatter.org/catalog/28380

 

O Catálogo do Conde de Fortsas

Renier-Hubert Ghislain Chalon (Conde de Fortsas) (Mons, Bélgica, 1802-1889)
Anna Dantes (Anna Paula Martins) – (Rio de Janeiro, 1968)
Luiza Marcier
O catálogo do Conde de Fortsas
Rio de Janeiro, Editora Dantes, 2007
130 ex.
17 x 25,5 cm
1 cartaz 64 x 48 cm
1 brochura com encadernação aparente
1 facsímile da edição orignal publicada na Bélgica em 1840 + 1 errata
luva de acetato impresso em serigrafia

Constitui este livro
Apresentação: José Mindlin,
notas sobre encadernação: D. Thereza N. Brandão Teixeira,
introdução: Cristina Antunes,
tradução do francês: Zoraide Gerteiny,
Edição: À Colecionadora & Dantes Editora
Impressão: Zen Serigrafia
papéis: Fine Papers.

O catálogo do conde de Fortsas anunciou em 1840, na Bélgica, o leilão de uma biblioteca incomum formada apenas por exemplares únicos. No disputado dia do evento descobriu-se que tudo não passava de uma farsa pregada aos colecionadores: o conde não existia e os livros eram todos inventados. Tudo fora criado por pura diversão.

nota: Jose Mindlin cedeu a primeira edicão de 1840 para o fac-símile.